
9.7.09
28.5.09

de Espantoso Barbosa
“Liberdade”
Todas as palavras que servem para tudo não servem para nada.
Liberdade.
Palavra comprida e inútil.
Conceito que não se grita nem se alcança.
Catalizador de todas as transformações.
“Liberdade”
Todas as palavras que servem para tudo não servem para nada.
Liberdade.
Palavra comprida e inútil.
Conceito que não se grita nem se alcança.
Catalizador de todas as transformações.
Liberdade
Vocábulo efémero que se existe se esfuma e se se perde se anseia.
Lugar do nada pois só nele ser livre não se acaba.
Lugar do tudo pois só aí deixar-se dormir é absurdo.
25.4.09

“Ser livre”
Eu não quero ser livre!
Eu não quero ser livre para te matar,
Eu não quero ser livre para vos oprimir,
Eu não quero ser livre para violar.
Eu não quero ser livre para o poluir.
Eu não quero ser livre para me impor,
Eu não quero ser livre para vos constranger.
Eu não quero ser livre para torturar,
Eu não quero ser livre para te censurar,
Eu não quero ser livre para vos invadir.
Eu não quero ser livre para exterminar,
Eu não quero ser livre para vos alienar,
Eu não quero ser livre para te trair.
Eu não quero ser livre para sufocar,
Eu não quero ser livre para te abandonar,
Eu não quero ser livre para vos roubar a liberdade.
Livre sim quero ser mas para te libertar…
20.4.09

Deixar respirar
É tão bom respirar que nem sequer pomos em causa deixar de o fazer. Respirar é um acto que se inicia no primeiro segundo e sobre o qual, a partir de aí, velamos para que seja perfeito em todos os outros momentos da nossa vida. Se o ar, por este ou por aquele motivo, se torna sufocante buscamos urgentemente outro lugar. Se estamos em apnéia por submersão o regresso à superfície é sempre acompanhado de um arrepio de felicidade. Gostamos de respirar e para o recordar não há nada como uma inspiração consciente. Respirar requer ar, temperatura, espaço, ritmo e posição. Quem pratica natação, atletismo, ou canto, por exemplo, sabe também que a eficácia do processo pode ser aperfeiçoado fruto de uma aprendizagem.
Respiremos portanto.
Exijamos que nos deixem respirar.
Exijamos que nos deixem respirar no sentido literal e nos outros todos.
Tão bom como respirar é o consciente acto de deixar respirar, deixar respirar os outros, deixar respirar os outros que estão connosco e sobretudo deixar respirar a quem amamos.
A verdade é que se amamos alguém a sério queremos estar com essa pessoa na totalidade e a toda hora. Ora esse desejo incontrolável encerra dentro de si uma evidente contradição. Se guardarmos só para nós todo o tempo de outro alguém, esse alguém deixará o seu próprio tempo o que significa que desaparecerá. E se a pessoa que pensamos “ter” desaparece então não temos nada. E afinal só queríamos ter tudo.
Amar alguém é amar a sua respiração intrínseca a qual é fundamental deixar funcionar.
Quando se ama outra pessoa temos de a deixar respirar, por si, no mundo, para cima de nós eventualmente, mas sempre incondicionalmente.
É tão bom respirar que nem sequer pomos em causa deixar de o fazer. Respirar é um acto que se inicia no primeiro segundo e sobre o qual, a partir de aí, velamos para que seja perfeito em todos os outros momentos da nossa vida. Se o ar, por este ou por aquele motivo, se torna sufocante buscamos urgentemente outro lugar. Se estamos em apnéia por submersão o regresso à superfície é sempre acompanhado de um arrepio de felicidade. Gostamos de respirar e para o recordar não há nada como uma inspiração consciente. Respirar requer ar, temperatura, espaço, ritmo e posição. Quem pratica natação, atletismo, ou canto, por exemplo, sabe também que a eficácia do processo pode ser aperfeiçoado fruto de uma aprendizagem.
Respiremos portanto.
Exijamos que nos deixem respirar.
Exijamos que nos deixem respirar no sentido literal e nos outros todos.
Tão bom como respirar é o consciente acto de deixar respirar, deixar respirar os outros, deixar respirar os outros que estão connosco e sobretudo deixar respirar a quem amamos.
A verdade é que se amamos alguém a sério queremos estar com essa pessoa na totalidade e a toda hora. Ora esse desejo incontrolável encerra dentro de si uma evidente contradição. Se guardarmos só para nós todo o tempo de outro alguém, esse alguém deixará o seu próprio tempo o que significa que desaparecerá. E se a pessoa que pensamos “ter” desaparece então não temos nada. E afinal só queríamos ter tudo.
Amar alguém é amar a sua respiração intrínseca a qual é fundamental deixar funcionar.
Quando se ama outra pessoa temos de a deixar respirar, por si, no mundo, para cima de nós eventualmente, mas sempre incondicionalmente.
19.4.09
10.4.09

S.A.B.E.
Quando por causa de um projecto “Coménius”, estive cinco dias na Polónia, intuitivamente os meus sentidos buscaram em cada segundo, um cheiro, uma imagem, um sabor, um lugar, que a genética tivesse inadvertidamente deixado passar proveniente dessas minhas raízes judaicas.
Não me atravessou nada específico mas pareceu-me ao menos ter apanhado uma ou outra brisa conhecida.
Consciente desta desidentificação patente, juntei ao vocábulo “reconhecimento” a frase “deixar-se tocar”.
Tocou-me em primeiro lugar Cracóvia pela sua identidade descontraidamente cosmopolita e universitária.
Tocou-me negativamente Auschwitz de onde vim com a certeza que toda a gente lá deveria ir uma, e uma só, vez na vida. Hoje acho que não devia ter ido.
Surpreendemente tocou-me um sabor e ficou. Não sei se por coincidência, ou por ser mesmo assim, em todos os lugares onde comemos, restaurantes, escolas ou casas particulares, havia sempre sopa de beterraba. Um caldo vermelho, aguado, saboroso, bonito, e com ar de poção mágica. Magia ou não é que me apetece voltar à Polónia quanto mais não seja por isso.
De regresso a Portugal, tal como quem compra um carro em segunda mão e a partir desse dia só vê viaturas iguais à sua a circular, a beterraba, alimento que nem fazia parte da minha dieta alimentar, passou a pavonear-se na minha frente permanentemente.
Crua, cozida, ou em vinagre, comprei, experimentei, cozinhei, acertei, falhei, de tudo um pouco. Por fim, e por uma questão prática, deixei-me vencer pelos pacotes de beterraba cozida que devoro puro e simplesmente ao natural (fria claro!). Não minto se disser que como uma média de uma beterraba por dia.
Pode ser adição mas faz-me muito bem. Acho eu…
Ah! Já me esquecia! A sopa de beterraba é que nunca consegui fazer. Talvez lhe falte um ingrediente : a Polónia.
Quando por causa de um projecto “Coménius”, estive cinco dias na Polónia, intuitivamente os meus sentidos buscaram em cada segundo, um cheiro, uma imagem, um sabor, um lugar, que a genética tivesse inadvertidamente deixado passar proveniente dessas minhas raízes judaicas.
Não me atravessou nada específico mas pareceu-me ao menos ter apanhado uma ou outra brisa conhecida.
Consciente desta desidentificação patente, juntei ao vocábulo “reconhecimento” a frase “deixar-se tocar”.
Tocou-me em primeiro lugar Cracóvia pela sua identidade descontraidamente cosmopolita e universitária.
Tocou-me negativamente Auschwitz de onde vim com a certeza que toda a gente lá deveria ir uma, e uma só, vez na vida. Hoje acho que não devia ter ido.
Surpreendemente tocou-me um sabor e ficou. Não sei se por coincidência, ou por ser mesmo assim, em todos os lugares onde comemos, restaurantes, escolas ou casas particulares, havia sempre sopa de beterraba. Um caldo vermelho, aguado, saboroso, bonito, e com ar de poção mágica. Magia ou não é que me apetece voltar à Polónia quanto mais não seja por isso.
De regresso a Portugal, tal como quem compra um carro em segunda mão e a partir desse dia só vê viaturas iguais à sua a circular, a beterraba, alimento que nem fazia parte da minha dieta alimentar, passou a pavonear-se na minha frente permanentemente.
Crua, cozida, ou em vinagre, comprei, experimentei, cozinhei, acertei, falhei, de tudo um pouco. Por fim, e por uma questão prática, deixei-me vencer pelos pacotes de beterraba cozida que devoro puro e simplesmente ao natural (fria claro!). Não minto se disser que como uma média de uma beterraba por dia.
Pode ser adição mas faz-me muito bem. Acho eu…
Ah! Já me esquecia! A sopa de beterraba é que nunca consegui fazer. Talvez lhe falte um ingrediente : a Polónia.
9.4.09

Renascer
Temos tantos motivos para renascer…
Mas não é fácil. Na maioria das vezes é preciso morrer. Ora o que se passa é que para morrer é preciso querer. Para morrer é preciso querer e estar bem de saúde. Ninguém deve desejar morrer em fraqueza. É um erro porque pode ser que não tenhamos forças para renascer.
É claro que a passagem da fase larvar para bicho alado implica uma letargia em casulo e esse processo é esgotante no que diz respeito às energias. Temos que dispor delas antecipadamente quando decidimos matar a nossa vida larvar.
Cumpridos os requisitos da viagem, renascer é sempre bom se não se fica na estação.
Quando se renasce vem-se fraco, mas limpo e a carregar baterias.
Quando se renasce vem-se livre, com vontade mas a passo.
Quando se renasce adquire-se uma espécie de alegria que vem com a luz da manhã e traz uma mistura sempre nova de cheiros intensos.
Quando se renasce não temos nada, não queremos nada mas desejamos viver.
Temos tantos motivos para renascer…
Mas não é fácil. Na maioria das vezes é preciso morrer. Ora o que se passa é que para morrer é preciso querer. Para morrer é preciso querer e estar bem de saúde. Ninguém deve desejar morrer em fraqueza. É um erro porque pode ser que não tenhamos forças para renascer.
É claro que a passagem da fase larvar para bicho alado implica uma letargia em casulo e esse processo é esgotante no que diz respeito às energias. Temos que dispor delas antecipadamente quando decidimos matar a nossa vida larvar.
Cumpridos os requisitos da viagem, renascer é sempre bom se não se fica na estação.
Quando se renasce vem-se fraco, mas limpo e a carregar baterias.
Quando se renasce vem-se livre, com vontade mas a passo.
Quando se renasce adquire-se uma espécie de alegria que vem com a luz da manhã e traz uma mistura sempre nova de cheiros intensos.
Quando se renasce não temos nada, não queremos nada mas desejamos viver.
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